domingo, 8 de julho de 2007

Indiferença

Somos muros apedrejados por nós mesmos
Estagnados por longos tempos na poeira,
Que acumulamos em séculos inteiros
No comodismo, de permanecermos em pé em estrutura sólida,
Com bases e alicerces inseguros, na vaidade nem percebemos...
E quando uma mão cansada em nós se apóia
Logo vem o querer fugir do labirinto,
Sem lhes oferecer apoio, somente olhar frio;
Que se parta em dois,
Desde que passe longe da nossa atmosfera,
A presença de um doente, moribundo ou cadáver,
Queremos continuar mesmo no conforto que nos agrada
Como um muro que só espera um reboque, por necessidade;
E quando a necessidade está longe de nós
Que sofra os terceiros, que em agonia se debatem;
Ora por Deus deixemos de ser muros ou pedras,
Raciocinemos, misericórdia, é pura caridade...
Que só vem de quem age na bondade,
Objetos inanimados tem vontade?
Então mãos silenciosas abracem a sublime caridade,
Por missão incondicional, e vamos sair dos palacetes,
Luxuosos, frios feitos de indiferença, adornados por mármore.

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