domingo, 1 de abril de 2018

Ócio do Passado


Não olhe pela janela
Não há mais nada de ontem
Tudo se foi – ou quase
Como o tédio de ver,
Uma carcaça de barata ser devorada,
Por formigas sem casa...
Onde o ócio é a continuação da depressão,
Onde chuva e sol têm a mesma cor
Onde moramos a vida toda – eu
E já não conhecemos mais nada – nem nós mesmos
Há sempre ou quase sempre,
O desemprego e a falta de rumo – uma loucura saudável,
Para fugir da extinta vida mágica,
Que morreu cedo,
Aos quatorze do primeiro tempo...
E o tédio é a genialidade sem rumo,
E o amor uma esperança,
De entregar a espiritualidade de um livro
E sair da cama e de casa é heroísmo
E as crianças e os mecanismos das Leis Divinas,
E o conhecimento de causa e efeito Delas
É a força de salvar-me dia a dia do autocídio
E aos trinta e nove do segundo tempo,
Sinto-me envelhecido e sem forças
E se não fosse os anjos do Senhor,
Estaria eu nas ruas, vencido...